A cidade de Paris apresentada neste filme de Mathieu Kassovitz nada tem do glamour a que o espectador pode estar acostumado a ver no cinema, pois a Torre Eiffel está distante do conjunto habitacional decadente em que moram os jovens protagonistas: o judeu Vinz (Vincent Cassel), o norte-africano Saïd (Saïd Taghnnaou) e o negro Hubert (Hubert Kondue). No dia em que o árabe de 16 anos Abdel Ichah está em coma devido ao espancamento sofrido durante um interrogatório, os três amigos confrontam-se com a polícia abusiva diversas vezes, discutem sua realidade, e o ódio está à flor da pele. Quando um revólver carregado é encontrado por um deles, a ideia de atirar em um policial pode ser realizada a qualquer momento.
Cenas marcantes:
A voz em off que abre o filme: "É a história de um homem que cai de um prédio de cinquenta andares. O cara, durante a queda, repete sem parar, para se reconfortar: 'Até aqui está tudo bem. Até aqui está tudo bem. Até aqui está tudo bem.'. Mas o importante não é a queda, é a aterrissagem.".
De dentro do ônibus, Hubert vê o outdoor com o slogan: "O mundo é seu".
Interrompendo uma discussão entre Vinz e Hubert, um senhor conta a eles e a Saïd sobre sua deportação para a Sibéria com um amigo.
Vinz, Hubert e Saïd em uma exposição de artes plásticas.
Hubert diz a Saïd: "Olha pra todas essas ovelhas que seguem o sistema. Olha só esse aí. Ele não parece mau, só, no seu casaco de couro de cabra. Mas é a pior raça. Esses que seguem as escadas rolantes, que seguem o sistema, que votam na extrema direita, sem serem racistas.Também são eles que protestam quando a escada quebra. É a pior raça.".
A primeira vez em que vi O ódio:
Foi no projeto de exibições de filmes do cursinho pré-vestibular em que estudei no ano de 2001. O tique-taque do relógio que marcava a passagem das horas no filme soava mais como uma bomba-relógio prestes a explodir e eu - que geralmente sinto sono quando assisto filmes em preto e branco - me senti aflito e irriquieto ao longo dos 97 minutos de projeção, conhecendo uma outra Paris, sentindo também ódio diante das injustiças sociais.
O ÓDIO [La haine]. Direção: Mathieu Kassovitz. Produção: Christophe Rossingnon. França: Les Productions Lazennec, 1995, DVD.
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