A morte em um acidente suspeito de António César (Rodrigo Santiago) - intelctual de esquerda, que escrevia um livro no qual denunciava um escândalo internacional envolvendo o Deputado Tavares (Sérgio Mambert) e outras autoridades políticas - afeta a vida daqueles que o amavam e o admiravam: Fernanda (Isa Kopelmann), companheira de António César, cuja tentativa de seguir o ideario libertário pode fazê-la perder-se em angústia; André (Hugo Della Santa), amigo dos dois, que não vive sua homossexualidade devido ao temor pela AIDS; e a jornalista Maria Regina (Imara Reis), que, em suas investigações sobre o escândalo e a obra de António César, tem que lidar com sua amiga Márcia (Cristina Mutarelli), Dona Cecília (Beatriz Segal) e o Deputado Tavares. Nenhum dos personagens é poupado nesse filme de Sérgio Bianchi, que conta ainda com as participações especiais de Elke Maravilha, Maria Alice Vergueiro e Ruth Escobar.
Cenas marcantes:
Fernanda dá uma "aula de etiqueta" a um rapaz.
Fernanda diz a Maria Regina: "E não se esqueça: é muito importante nesse país ser rico, branco, pele clara, olhos azuis, bem-educado, perfumado e, principalmente, ter todos os dentes".
Diálogo em close entre António César, Fernanda e André, seguido de diálogo entre André e um michê.
Márcia humilha um garçom e a intervenção metalinguística do diretor Sérgio Bianchi.
António César no gabinete do Deputado Tavares.
António César no gabinete do Deputado Tavares.
A primeira vez em que vi Romance:
Foi na mostra dos filmes de Sérgio Bianchi no Cinusp Paulo Emílio [http://www.usp.br/cinusp/] em 2000, à qual fui sozinho quase todos os dias. Eu saía de cada sessão mais e mais incomodado com aqueles retratos críticos do Brasil que tinha diante de mim na tela, e os risos nervosos da platéia me pareciam muito fora de hora... Em Romance, especificamente, o personagem mais incômodo foi André, mesmo que (ou justamente porque) ele me parecesse em segundo plano diante dos outros. E eu nem sabia ainda quem era Caio Fernando Abreu, que participou do roteiro do filme.
ROMANCE. Direção: Sérgio Bianchi. Produção: Oceano Vieira de Melo. Brasil: Sérgio Bianchi Produções Cinematográficas/Embrafilme, 1988, DVD. (Extras: Mato eles?, Divina providência e depoimento de Imara Reis.)
De fato, o incômodo é uma sensação constante dos filmes de Bianchi. O último visto, "Os inquilinos", não escapa desse sentimento.
ResponderExcluirÉ verdade, todos os filmes dele são marcados pelo incômodo que causam no espectador. Mais futuramente, pretendo escrever sobre "A causa secreta", "Cronicamente inviável" e outros mais do Bianchi...
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