11 de mar. de 2012

Romance

A morte em um acidente suspeito de António César (Rodrigo Santiago) - intelctual de esquerda, que escrevia um livro no qual denunciava um escândalo internacional envolvendo o Deputado Tavares (Sérgio Mambert) e outras autoridades políticas -  afeta a vida daqueles que o amavam e o admiravam: Fernanda (Isa Kopelmann), companheira de António César, cuja tentativa de seguir o ideario libertário pode fazê-la perder-se em angústia; André (Hugo Della Santa), amigo dos dois, que não vive sua homossexualidade devido ao temor pela AIDS; e a jornalista Maria Regina (Imara Reis), que, em suas investigações sobre o escândalo e a obra de António César, tem que lidar com sua amiga Márcia (Cristina Mutarelli), Dona Cecília (Beatriz Segal) e o Deputado Tavares. Nenhum dos personagens é poupado nesse filme de Sérgio Bianchi, que conta ainda com as participações especiais de Elke Maravilha, Maria Alice Vergueiro e Ruth Escobar.




Cenas marcantes:

Fernanda dá uma "aula de etiqueta" a um rapaz.

Fernanda diz a Maria Regina: "E não se esqueça: é muito importante nesse país ser rico, branco, pele clara, olhos azuis, bem-educado, perfumado e, principalmente, ter todos os dentes".

Diálogo em close entre António César, Fernanda e André, seguido de diálogo entre André e um michê.

Márcia humilha um garçom e a intervenção metalinguística do diretor Sérgio Bianchi.

António César no gabinete do Deputado Tavares.



A primeira vez em que vi Romance:

Foi na mostra dos filmes de Sérgio Bianchi no Cinusp Paulo Emílio [http://www.usp.br/cinusp/] em 2000, à qual fui sozinho quase todos os dias. Eu saía de cada sessão mais e mais incomodado com aqueles retratos críticos do Brasil que tinha diante de mim na tela, e os risos nervosos da platéia me pareciam muito fora de hora... Em Romance, especificamente, o personagem mais incômodo foi André, mesmo que (ou justamente porque) ele me parecesse em segundo plano diante dos outros. E eu nem sabia ainda quem era Caio Fernando Abreu, que participou do roteiro do filme.







ROMANCE. Direção: Sérgio Bianchi. Produção: Oceano Vieira de Melo. Brasil: Sérgio Bianchi Produções Cinematográficas/Embrafilme, 1988, DVD. (Extras: Mato eles?, Divina providência e depoimento de Imara Reis.)

2 comentários:

  1. De fato, o incômodo é uma sensação constante dos filmes de Bianchi. O último visto, "Os inquilinos", não escapa desse sentimento.

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  2. É verdade, todos os filmes dele são marcados pelo incômodo que causam no espectador. Mais futuramente, pretendo escrever sobre "A causa secreta", "Cronicamente inviável" e outros mais do Bianchi...

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